1.8.10

'Onde não deveria ser tocado.

Lá estava ela novamente deitada olhando para o teto em meio aquela escuridão.
A hora já se avançava, enquanto ela revirava na cama pensando no que iria fazer, pensando nos seus objetivos... pensando em sua vida completamente planejada em sua mente. Era previsível.
Ela orgulhosa, se mantendo de cabeça em pé, sem pensar em fatos nos quais não deveriam ser pensados. Havia uma barreira para que não acontecesse.
Ela calculava tudo. Suas decisões, o que teria de fazer, dizer, onde deveria estar.
Tudo pensado. Tudo previsível. tudo monótono.
Horas e horas pensando nas coisas que sempre pensava antes de dormir, até seu subconsciente parar de lutar e conseguir adormecer.
Noite comum, vazia, sem sonhos que seriam lembrados pela manhã.
Acorda cedo, senta na beirada cama e pensa no seu dia comum que viria. Uma vida estável. Uma vida "feliz".
Ia até o banheiro, se lavava, escova os dentes se observando no espelho.
Ia em direção ao quarto, lia um livro, ou ficava apenas deitada olhando para o teto um pouco mais de luminosidade. Sentia ansiedade. Uma vontade de fazer algoque não sabio ao certo. Colocava músicas no celular pra tocar, músicas com letras bonitas, na maioria falava de amor.
Um amor vazio, um amor no qual não tinha vivído. Começava a viajar em seus pensamentos, ouvindo a música baia ao fundo, já não sabia ao certo qual tocava. Ficava pensando de novo nos seus sonhos e planos. Até que a barreira que ela havia criado de desmanchava diante dos seus olhos. Ela tentava fugir, tarde demais.
Quando deu por si já estava ali, na parte não permitida, onde estava vulnerável, frágil. Ela com sua vida monótona escola, trabalhos, outros compromissos, uma mulher forte, com sua vida planejada e monitorada, se deixando levar por uma barreira inútil e idiota dentro de sua própria mente. Naquela parte havia os seus desejos e anseios mais sombrios, outros nem tão sombrios assim, mas continuavam a ser idiotas e inalcansáveis[?]. Lá era onde estava a vontade de fugir, de gritar, de sentir, de provocar, de ser provocada, de envolver e ser envolvida, de ser desafiada, de sair do seu mundinho previsível.
Na parte mais idiota estava sua vontade de viver um amor, sim, um amor. Desses vazios de canções bonitas e com declarações do tipo "eu te amo". Sonho idiota, sonho vazio.
Ela usava toda a sua força pra remontar a barreira pra sair dali, e voltar ao seu controle, ao seu domínio.
Ela voltara a si. Ouvia a música mais nitidamente. Já identificava qual era, desligava a música, se levantava e saia pra mais um dia comum e planejado.

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