1.11.10

Ela ainda está aqui. Pelo menos parte dela.


Sabe, eu ainda gosto de chocolates e balas de melancia. Eu ainda canto desafinado só pra fazer alguém sorrir. Eu ainda gosto de abraços. Eu ainda gosto de músicas romanticas e rock. Eu ainda sorrio sem motivo. Eu ainda sou implicante. Eu ainda falo demais. Eu ainda não sei dançar. Eu ainda amo o vento na minha pele. Eu ainda quero liberdade. Eu ainda tenho medos. Eu ainda não sei falar inglês. Eu ainda não saio pra todos os lugares sozinha. Eu ainda tenho mania de falar ao telefone. Eu ainda choro atoa. Eu ainda sinto dor por não ter todos que amo por perto. Eu ainda gosto daquele cara idiota. Eu ainda lembro dos filmes que vi com quem amo. Eu ainda choro quando lembro dos meus "amigos". Eu ainda sinto aquela sensação de estar completa enquanto ouço o som do violão. Eu ainda escrevo pra me esvaziar. Eu ainda me sinto sozinha mesmo cheio de gente ao redor. Eu ainda não conquistei a confiança de volta de muitas pessoas. Eu ainda não me recuperei de alguns traumas. Eu ainda tenho medo do escuro. Eu ainda penso que estou acima do peso. Eu ainda tenho vergonha de conversar com algumas pessoas. Eu ainda abraço aquele meu antigo amigo quando o vejo. Eu ainda gosto que me chamem de Ninha. Eu parei de roer unhas. Eu ainda tenho o mesmo corte de cabelo. Eu ainda gosto de perfumes menos doces. Eu ainda amo torta de limão. Eu ainda gosto de cantar, mesmo que faça tempo desde a última vez. Eu ainda toco as mesmas músicas no violão. Eu não tenho mais chorado com frequencia. Eu tenho escutado mais mpb. Eu ainda lembro das antigas conversas. Eu ainda lembro do perfume que o timbre da voz de algumas pessoas. Eu ainda me sinto segura quando lembro de estar abraçando algumas pessoas. Eu ainda como bigmac. Eu ainda sorrio sozinha. Eu ainda gosto da chuva. Eu tenho prestado mais atenção em borboletas. Eu tenho ficado sentada no sol de manhã pra me sentir mais forte. Eu ainda escrevo coisas tristes. Eu não acredito mais em principes encantados, mas ainda escrevo sobre eles. Eu ainda não vejo filmes de terror. Eu ainda sinto a sua falta. E eu ainda acredito que você está aqui comigo, quando me sinto triste. Eu ainda tento apagar todas as palavras ruins que já me disseram. Eu ainda me sinto uma criança. Eu ainda erro. E eu ainda acredito que mesmo que não seja um príncipe, alguém vai vir pra cuidar de mim e que vai me fazer feliz. Eu ainda acredito que a junção de vento e violão é a junção perfeita. Eu ainda grito pra libertar, eu ainda sonho. Eu ainda tenho muito daquela menina antiga que usava all star quando ninguém usava, daquela menina das roupas engraçadas,daquela menina que acreditava que tinha muitos amigos. Eu ainda tenho muito daquela menina que queria ser feliz. Eu ainda sei que ela está aqui... em algum lugar.

7 comentários:

  1. Isso é o que importa, não deixar a menina especial que temos dentro de nós, aquela que acredita em tudo, é menos cética com o amor e com a vida, nunca se perder.

    Beijos

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  2. Também sei que serei sempre menina e mulher...

    Gostei de passar por aqui! Gistei de ler!

    Beijinho!

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  3. Adorei, simplesmente perfeito
    me identifico muito, por que apesar
    de tudo o que agente vive, ainda existe dentro
    de nós aquela inocência que fazia com que agente achasse que nunca conseguiria passar por tudo o que passamos e continuar sendo as mesmas pessoas, diferentes mais sempre as mesmas *-*

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  4. Eu acredito que a gente não perde coisas da gente, a gente se acrescenta coisas, somos muitas dentro de uma só(que nunca está só, que nunca é uma só!).Grande abraço.

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  5. "Eu sei que ela está ai, em algum lugar..."

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  6. "Eu ainda gosto da chuva. Eu tenho prestado mais atenção em borboletas."

    Me too!

    =)

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  7. Nuuuuuu!
    simples e muito profundo!
    Me vi nesse relato!!!

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