26.3.13

Perdida de mim

Meu coração está inquieto. Uma mistura de saudade, com tristeza, não arrependimento, mas só tristeza.
Tudo é muito complicado, todas as coisas se confundem dentro de mim. Cheguei ao ponto de não me enxergar quem sou em frente ao espelho e procurei me encontrar em coisas que nunca seriam o que eu realmente era. Me perdi totalmente dentro de mim  e precisei de um choque, de um sacode da vida, de uma ventania, de uma chuva sem fim pra me lavar e dizer "Ei acorda, a vida tá passando e você se perdeu, se encontre já!".
Foi necessário o vento me derrubar pra eu entender que  eu na verdade não precisava de nada. Só de Deus, da minha família e de mim mesma. Me levanto aos porcos, cada dia um pouco mais. Eu me perdi tanto de mim que não fazia mais o que eu mais gostava que era escrever e cantar... Como eu poderia ter uma vida sem cantar? Como eu poderia ter uma vida sem fechar os olhos, e louvar a Deus, como eu poderia viver sem me esvaziar nas palavras?
Sinceramente eu não sei, mas sei que vejo uma luz, e vou até ela, sem pestanejar, por que é isso que eu verdadeiramente faria.

"Quando tá escuro
E ninguém te ouve
Quando chega a noite
E você pode chorar
Há uma luz no túnel
Dos desesperados
Há um cais de porto
Pra quem precisa chegar"

8.3.13

Suspiro e estremeço

Eu fecho os olhos e me sinto leve, porém com aquele sensação de que devo me vigiar a todo instante. Meus atos devem ser totalmente milimetrados, minha mente deve ser monitorada a cada segundo. Qualquer descuido poderia ser fatal.
'Mude, não mude, chore, seja fria, saia mais, ignore seus sentimentos, ame, ame, ame, odeia, escute, fuja, siga em frente, deixe tudo como está, seja você, nunca se revele totalmente, grite, finja que nada aconteceu, silencie, exploda. Exploda, exploda, exploda.'
Por todos os lados, metralhadoras de informações são lançadas até a mim, e nada, absolutamente nada me completa, me pára, me invade e me faz ser o que realmente quero ser a não ser naquele momento em que me abraça em meio a toda a confusão, coloca as mão na minha nuca, respira no meu ouvido e diz que me ama e que você precisa que as coisas fiquem bem.
Parece que tudo pára, que não há outro som além de sua respiração, e sua voz. Parece que não existe outro olhar, nem mesmo outros lábios que beijariam minhas lágrimas. Olho em volta e  o nada me assusta, me apavora. Devolvo meu olhar a você, e meus olhos desesperados se deparam com sua calmaria. Sua respiração, suas mãos firmes, sua voz doce. Suspiro e estremeço. Fecho os olhos e deixo sua calmaria me invadir. E me invade, me inunda, me faz totalmente diferente do que imaginava que um dia seria. Me faz ser sem pedir, me faz ser tudo o que procurei.