8.3.13

Suspiro e estremeço

Eu fecho os olhos e me sinto leve, porém com aquele sensação de que devo me vigiar a todo instante. Meus atos devem ser totalmente milimetrados, minha mente deve ser monitorada a cada segundo. Qualquer descuido poderia ser fatal.
'Mude, não mude, chore, seja fria, saia mais, ignore seus sentimentos, ame, ame, ame, odeia, escute, fuja, siga em frente, deixe tudo como está, seja você, nunca se revele totalmente, grite, finja que nada aconteceu, silencie, exploda. Exploda, exploda, exploda.'
Por todos os lados, metralhadoras de informações são lançadas até a mim, e nada, absolutamente nada me completa, me pára, me invade e me faz ser o que realmente quero ser a não ser naquele momento em que me abraça em meio a toda a confusão, coloca as mão na minha nuca, respira no meu ouvido e diz que me ama e que você precisa que as coisas fiquem bem.
Parece que tudo pára, que não há outro som além de sua respiração, e sua voz. Parece que não existe outro olhar, nem mesmo outros lábios que beijariam minhas lágrimas. Olho em volta e  o nada me assusta, me apavora. Devolvo meu olhar a você, e meus olhos desesperados se deparam com sua calmaria. Sua respiração, suas mãos firmes, sua voz doce. Suspiro e estremeço. Fecho os olhos e deixo sua calmaria me invadir. E me invade, me inunda, me faz totalmente diferente do que imaginava que um dia seria. Me faz ser sem pedir, me faz ser tudo o que procurei.

2 comentários:

  1. Lindo.. :)
    Gosto muitos dos seus textos.. :)

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  2. Mas quando essa procura não se finda, é o sofrimento que reage com maior frequência. Não existe uma única pessoa no mundo para fazer sentido em nós. E só quem nos completa somos nós mesmos.
    Abraços.

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